São José dos Campos
20º / 26º
No decorrer do dia o dia terá com variação de nebulosidade na região.
Editorial
Maio 25, 2018 - 22:36

Os caminhões de R$ 0,20

Greve dos caminhoneiros

Greve dos caminhoneiros

Foto: Rogério Marques

A exemplo das manifestações de 2013, governo brasileiro ainda não se mostra capaz de ouvir a voz que vem da rua


Junho de 2013. Após o anúncio do reajuste na tarifa do transporte público na capital paulista, uma série de manifestações toma as ruas da maior cidade brasileira. Após a violenta reação policial, os protestos ganham força e, rapidamente, feito rastilho de pólvora, se espalham pelo estado e por todos os cantos do país. Inicialmente restrito à questão dos ônibus, o movimento logo aglutinou uma variedade incalculável de bandeiras, como, por exemplo, combate à corrupção, reforço no combate ao crime, aposentados, intervenção militar, mais saúde e educação, contra o governo Dilma Rousseff (PT), então presidente, entre outros.

Era a chamada voz das ruas, que, depois de anos e anos sufocada no peito, bradou alto, depois de encontrar no reajuste nas passagens de ônibus um pretexto para protestar. Não era, como dizia um dos milhares e milhares de slogans usados durante o movimento, só por R$ 0,20. Mas e agora, cinco anos depois, é apenas pelo preço do combustível?

Óbvio que não.

A paralisação organizada pelos caminhoneiros, assim como em 2013 aconteceu com os R$ 0,20, transporta em sua carroceria um sentimento que está engasgado no coração brasileiro, castigado por anos e anos com escândalos de corrupção, precariedade nos serviços, injustiças de toda a sorte, além de uma crise econômica profunda, que ceifou milhões de empregos e rebaixou o poder de compra da população.

Em meio a esse caldeirão, nesse copo cheio de tanto inconformismo e descrença, o aumento no preço do combustível -- mais um aumento -- foi a gota d'água,a exemplo de junho de 2013. Trata-se de um fato catalisador, que abre a porteira da indignação.

Cinco anos atrás, além da revogação do aumento na tarifa dos ônibus, o governo anunciou uma série de medidas, em resposta às vozes das ruas. Entre elas estão, por exemplo, a medida que tornava corrupção crime hediondo, e também o arquivamento da PEC que propunha proibir o Ministério Público de investigar.

Como em 2013, há um vácuo de representatividade. Isso explica, por exemplo, a falta de uma voz que centralize a inconformidade latente. Ou o fato dos caminhoneiros que estão nas estradas do país terem ignorado o acordo de entidades da categoria firmado com o governo do presidente Michel Temer (MDB).

Aos poucos, outras vozes se levantam, orbitando a pauta dos caminhoneiros. Ao discursar na sexta-feira, Temer deixou claro que, assim como em 2013, o governo ainda não compreende os brados das ruas. Não foi por R$ 0,20. E nem pelos caminhões.

Publicidade
Publicidade
Publicidade  
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

BRASIL

MUNDO