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Editorial
Maio 30, 2018 - 21:42

Democracia, liberdade

Se a democracia brasileira está doente alteremos, então, o remédio. Pedir intervenção militar é 'matar' o paciente


Diante daquele paciente acamado, já bastante debilitado, a equipe médica analisa detalhadamente todos os exames disponíveis, a fim de traçar então a radiografia do problema e definir a melhor estratégia para superá-lo, restaurando assim a saúde daquele jovem doente, deitado na maca -- eternamente em um berço esplêndido? -- ao som do mar de caminhões que tomou as rodovias brasileiras e à luz do céu de uma crise tão profunda moral, política, ética e econômica. No prontuário está escrito o nome do paciente: democracia brasileira. Combalida, esta jovem enfrenta uma série de percalços ao longo dos últimos anos, a ponto de já haver quem a coloque em xeque. Ela, afinal, está adoecida, infestada por parasitas engravatados que, protegidos pelo foro privilegiado e outras tantas regalias, sugam o sangue de uma nação tão marcada por injustiças, desigualdade e miséria de toda a sorte. Ou azar?

Nos últimos anos, em um fenômeno que se acentuou depois do início da Operação Lava Jato, a sociedade brasileira vê perplexa um tsunami de lama varrer as mais altas esferas da República, colocando atrás das grades algumas figuras políticas relevantes, revelando nefastos esquemas de corrupção que desviam bilhões e bilhões de reais dos cofres públicos. E esse show de horrores, encenado em Brasília, gerou um desabastecimento da esperança do eleitor, quase uma 'pane seca' na confiança do brasileiro -- isso fica claro quando quase um terço do eleitorado optou pelo voto em branco, anulou ou absteve-se na eleição de 2014.

Em meio à crise de crença que o país enfrenta, já desde 2013 há nas ruas -- e principalmente nas redes, que é essa nova arena moderna -- grupos que defendem a necessidade de uma intervenção militar, mesmo após a barbárie vivida pelo Brasil durante a ditadura -- que começou com uma intervenção temporária e durou sombrios 21 anos (1964 até 1985), com centenas de assassinatos e a prática de tortura (até de grávidas) como política institucional, corrupção, censura à imprensa, restrição aos direitos políticos e outras medidas.

Pedir a intervenção militar, apesar de uma ofensa à Constituição, ao Estado de Direito e à história do Brasil, é democrático.

Dar esse remédio à democracia brasileira é como encaminhar um paciente para uma câmara de gás para curá-lo de sua doença.

A democracia do país precisa, é claro, de ajustes. Que alteremos o remédio então. Mas mantê-la viva é imprescindível. Inegociável..

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