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Editorial
Junho 14, 2018 - 23:14

Corrupção padrão Fifa

Após quatro anos, fica claro que legado da Copa de 2014 é formado por obras atrasadas e desvio de verba pública


Legado. O que alguém deixa em seu testamento, aquilo que é passado para as próximas gerações, herança. Assim o dicionário explica o substantivo masculino que abre o editorial desta sexta-feira. O termo legado foi utilizado de forma ampla em nosso país anos atrás, quando o Brasil se preparava para receber os dois principais eventos esportivos do planeta em um intervalo de apenas dois anos: primeiro a Copa do Mundo de 2014 e depois os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. A primeira, que dentro das quatro linhas ficou marcada pelos 7 a 1 contra a Alemanha, será sempre lembrada também pelos 7 a 1 em outro campo: o das contas públicas. A conta, paga pelo contribuinte, chegou a R$ 25,6 bilhões. Só com estádios, muitos deles verdadeiros elefantes brancos, foram R$ 8 bilhões -- e com direito a graves denúncias de superfaturamento. A Olimpíada, dois anos mais tarde, custou ainda mais: R$ 43 bilhões. Muito acima do planejado, com a medalha de ouro no desperdício de dinheiro público e falcatruas.

Tanto em um quanto em outro evento, o cenário foi exatamente o mesmo: cronograma atrasado, superfaturamento, problemas na entrega de obras, etc. Um exemplo: até os dias atuais, passados quatro anos, temos obras inacabadas em oito capitais brasileiras, que deveriam ter sido entregues para a Copa de 2014. Entre elas estão obras de mobilidade urbana, como VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), metrô e BRT (os transportes rápidos por ônibus), além de investimentos no setor aeroportuário, e outros.

O governo prometia que o país herdaria um legado importante, com investimento em infraestrutura, além das melhorias nos serviços públicos -- que teriam, tal qual os estádios faraônicos, o tal 'padrão Fifa' -- e do incentivo esportivo. A verdade é que o gasto público responsável e justo, com foco na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos brasileiros, não viu a cor da bola. Tomou um chapéu da corrupção.

Houve legado?

A seleção de mutretas escalada por governantes deixou o brasileiro mais distante de uma paixão: o futebol. E não foi só.

Passados quatro anos, olhando no retrovisor, podemos responder que sim. Ele se faz claro nas obras ainda atrasadas ou inacabadas em 2018 quando deveriam ter sido entregues em 2014. Pior: em geral, custaram mais caro do que o previsto e atrasaram. Mas como? Mais tarde, com a bomba dos escândalos de corrupção na mandatária do futebol mundial, ficou nítido que Copa e Olimpíada tiveram o padrão Fifa: afinal, foi um lamaçal só..

 

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