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Junho 05, 2018 - 19:28

Premiado no 'Oscar da Dança', espetáculo 'Cão sem plumas' está em cartaz em São José

Cao sem pluma

Cao sem pluma

Foto: /Divulgação

Da Redaçã[email protected]

A elegância do clássico, a lama das raízes e o olhar contemporâneo. João Cabral de Melo Neto (1920-1999) se fará presente em palco joseense na quarta (6) e quinta-feira (7). "Cão sem plumas", espetáculo de Deborah Colker, inspirado em poema homônimo do autor, chega à cidade um ano após a sua estreia internacional, em junho de 2017.

O primeiro espetáculo de temática explicitamente brasileira da bailarina e coreógrafa acaba de vencer o Benois de la Dance, em Moscou, na Rússia. A cerimônia ocorreu na terça (5) e o prêmio é considerado o Oscar da dança contemporânea. Essa, aliás, é a primeira vez que bailarinos do Brasil vencem a premiação, criada há 27 anos.

Tons pasteis.

Publicado em 1950, o poema de João Cabral acompanha o percurso do rio Capibaribe, que corta parte do Estado de Pernambuco. Nele, a pobreza da população ribeirinha, o descaso das elites, a vida no mangue e a "força invencível e anônima".

Na ocasião em que escreveu a obra, o autor vivia em Barcelona, na Espanha. E, quando leu numa revista que a expectativa de vida no Recife era menor do que na Índia, resolveu escreveu a poesia.

"O espetáculo é sobre coisas inconcebíveis, que não deveriam ser permitidas. É contra a ignorância humana. Destruir a natureza, as crianças, aquilo que é cheio de vida", disse, em nota, Deborah, que se emocionou com o texto do autor em 2014.

No palco, são 13 bailarinos cobertos de lama, em alusão às paisagens que o poema descreve. Seus passos evocam os caranguejos. O "bicho-homem" é o conceito no qual se baseia toda a coreografia.

A artista se baseou ainda em manifestações pernambucanas, como o maracatu e o coco. Também se valeu de samba, jongo, kuduro e outras danças populares. "Minha história é uma história de misturas", afirmou a artista.

Imagens.

No espetáculo, o uso de poucas cores. Nele, a dança se mistura com o cinema: cenas de um filme realizado por Claudio Assis (diretor de "Amarelo Manga", 2003; e "Febre de Rato", 2012) e pela própria Deborah são projetados no fundo do palco e dialogam com os corpos dos bailarinos.

As imagens foram registradas em novembro de 2016, quando coreógrafa, cineasta e toda a companhia viajaram durante 24 dias do limite entre sertão e agreste até Recife. A jornada foi documentada ainda pelo fotógrafo Cafi.

Na trilha sonora original, outros dois pernambucanos: Jorge Dü Peixe, da banda Nação Zumbi e um dos expoentes do movimento mangue beat; e Lirinha, ex-cantor do Cordel do Fogo Encantado, poeta e ator. Também está nela o carioca Berna Ceppas, que acompanha Deborah desde o seu trabalho de estreia, "Vulcão" (1994).

Os figurinos são de Claudia Kopke e a direção executiva é de João Elias, fundador da companhia.

Sucesso.

Reconhecida internacionalmente, Deborah recebeu, em 2001, o Laurence Olivier Award na categoria "Oustanding Achievement in Dance" - realização mais notável em dança no mundo. E, em 2009, criou um espetáculo para o Cirque de Soleil: "Ovo".

Vale lembrar ainda que, em 2016, a coreógrafa foi a diretora de movimento da cerimônia de abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Serviço.

"Cão sem Pluma" está em turnê pelo interior de São Paulo até o final deste mês, depois segue para o Rio de Janeiro, onde fica em julho e agosto. Em seguida, o espetáculo será levado para os Estados Unidos.

Em São José, a apresentação ocorre no teatro Colinas (av. São João, 2.200), às 20h. Ingressos R$ 100 (Mezanino) e R$ 140 (Plateia). Assinantes do Clube OVALE têm 50% de desconto..

 

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