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Junho 08, 2018 - 18:38

Vitória da geração millennials, conceito de nude vai além do velho bege-pêssego

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Foto: Sofia-Mauro/Divulgação

Paula Maria [email protected]

A geração Millennials definitivamente está deixando sua marca na história ao definir com pulso firme como serão as coisas daqui para frente. Agora, as atuais lutas contra racismo e preconceitos e a celebração da diversidade parecem, finalmente, ter chegado àqueles que aparentam ser os mais opressores mercados: moda e beleza.

A vitória da vez: a ideia de que aquele bege pêssego - defendido como nude - era um tom universal caiu por terra. Pode parecer bobagem num primeiro momento, mas o feito representa a inserção de inúmeras pessoas - principalmente, mulheres - na pauta de ambas indústrias, dando-lhes visibilidade e, mais importante: voz.

Em suma, nos últimos meses, os gritos, em formato de hashtags nas redes sociais - #NotMyNude (não é meu nude), #NudeHues (matizes nudes) e #AllShades (todos os tons) - finalmente foram ouvidos. Ainda há, claro, marcas que encaram o tom "café com leite" como a mais escura da sua paleta de cores, mas encontrar um nude para chamar de seu já não é mais missão impossível.

"Por muito tempo, a justificativa que ouvíamos das marcas é de que pessoas de pele negra não tinham poder de consumo. No entanto, muitas jovens da atual geração, algumas delas influenciadoras digitais, passaram a questionar essa informação e o padrão de beleza estabelecido pelo mercado", afirmou a maquiadora Ana Luiza Nogueira Lopes, docente do Senac Pindamonhangaba.

"Essa é naturalmente uma geração questionadora e, com acesso à informação, marcas que não apostam na diversidade acabam ficando em baixa", continuou a especialista. "

O desafio das marcas em atender com produtos todos os tons de pele é mesmo imenso uma vez que há uma quantidade enorme de matizes rosados e amarelados. Mas segundo a empresa de pesquisa Kline & Company, as marcas que atendem o mercado de beleza chamado multicultural cresceram 3,7% desde 2014, enquanto o restante do mercado registrou apenas 2,8%.

Mercado.

Na área da beleza, a cantora Rihanna foi em 2017 considerada a ativista do ano pela Harvard. Um de seus feitos: o lançamento da linha de maquiagem Fenty Beauty, com 40 tons de bases.

"Foi muito difícil criar um produto que atendesse todos os tipos de tons de pele e ainda ficasse invisível. Eu já usei alguns pós translúcidos que no final me deixavam com marcas brancas no rosto", afirmou ela na ocasião durante coletiva de imprensa. Outras marcas, como NYX, Urban Decay, Bobbi Brown, MAC e Colorama também apostam em novos tons.

Na moda, Nubian Skin, BeingU, Jockey, Nunude, Nudest, BrownBottims, Kahmune, e Christian Louboutin levam a melhor, entre outras marcas. Este último, aliás, tinha o bege como cor de um de seus ícônicos sapatos, mas tudo mudou quando uma funcionária lhe disse: "bege não é a cor da minha pele".

Anos.

Do primeiro pó compacto feito para mulheres negras, o High Brown, em 1900, até hoje, o percurso foi longo. Apenas em 1962 foi lançada a primeira Barbie negra. Naquele mesmo ano, a marca Crayola deixou de chamar um de seus giz de "pele" e passou a tratá-lo como "pêssego".

A primeira linha de cosméticos para mulheres negras vendidas em lojas de departamento que se tem notícia é a Fashion Fair, de 1973. Em 2012, a Sephora junto da Pantone lançaram um gadget que, por meio de uma foto, mapeava tons de base compatíveis com a pele do consumidor.

E foi só em 2015 que a Apple lançou emojis multiétinicos em cinco tons direrentes de pele. Ou seja, ainda falta muito, mas é um excelente começo..

 

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