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O ex-ministro da Defesa Joaquim Silva e Luna foi nomeado como novo diretor-geral brasileiro da Usina Hidrelétrica de Itaipu, no rio Paraná, na divisa entre o Brasil e Paraguai. A escolha foi publicada hoje (21) no Diário Oficial da União (DOU). O vice-almirante Anatalício Risden Júnior vai ocupar a diretoria financeira da usina. Os dois substituem Marcos Vitório Stamm e Mário Antônio Cecato, respectivamente. Os mandatos vão até 16 de maio de 2022. Luna comandará a parte brasileira da usina hidrelétrica, que pertence ao Brasil e ao Paraguai, e terá, entre outros compromissos, iniciar as tratativas para a renegociação do Anexo C do Tratado de Itaipu. Assinado em 1973, o tratado prevê que em 2023 haverá revisão dos valores para a venda ao Brasil de parte da energia produzida a que o Paraguai tem direito. Tanto o Brasil quanto o Paraguai tem direito a 50% da energia produzida. Grupo de trabalho No último dia 13, o Ministério de Minas e Energia criou um grupo de trabalho para coordenar os estudos do processo de revisão do tratado da hidrelétrica binacional Itaipu. O GT tem 60 dias para apresentar um plano de trabalho com as etapas necessárias para conclusão dos estudos. Entre outros pontos, a discussão sobre a revisão do Anexo C vai recair sobre o custo da tarifa e a possibilidade de permitir que a energia da usina seja vendida a qualquer comprador e não somente entre Brasil e Paraguai. Depois dessa data, nova revisão só ocorrerá em 2073 A energia vendida ao Brasil abastece clientes nas regiões Sul e Sudeste. Uma redução no volume ofertado ao Brasil ou o aumento no preço cobrado pela energia importada poderiam afetar a tarifa de energia elétrica no Brasil. A tarifa de Itaipu é calculada pelo custo, e um componente importante nessa conta é o pagamento da dívida - de aproximadamente US$ 27 bilhões - contraída para construção da usina. Esse financiamento, cujo pagamento equivale a cerca de dois terços da tarifa, estará totalmente amortizada em 2023. Com um orçamento de US$ 3,5 bilhões, a usina de Itaipu Binacional é líder mundial na geração de energia limpa e renovável, com 20 unidades geradoras e 14 mil MW de potência instalada. Atualmente a usina responde por 17% do mercado brasileiro de eletricidade e 85% do consumo paraguaio. O general da reserva Silva e Luna foi o primeiro militar a ocupar a chefia do Ministério da Defesa. Luna é doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército O novo diretor financeiro, vice-almirante Anatalício Risden Júnior, é mestre em Ciências Navais e doutor em Altos Estudos de Política e Estratégia ? Marítimas. Desde 2015, é consultor da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin votou hoje (21) pelo reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em aprovar uma lei para criminalizar a homofobia, que é caracterizada por condutas de preconceito contra o público LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais).  Com a manifestação, há dois votos para que o crime de racismo seja aplicado aos casos de agressões contra homossexuais até que a norma seja aprovada pelo Congresso, conforme pedido feito pelo PPS e pela Associação Brasileiras de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT) na Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) nº 26 e no Mandado de  Injunção nº 4.733, que tem Fachin como relator.  Pelo atual ordenamento jurídico, a tipificação de crimes cabe ao Poder Legislativo, responsável pela criação das leis. O crime de homofobia não está tipificado na legislação penal brasileira. Em seu voto, Fachin entendeu que a Constituição obriga o Congresso a criminalizar qualquer tipo de discriminação e há uma omissão da Câmara dos Deputados e do Senado ao não terem aprovado a medida desde a promulgação da Carta Magna, em 1988.  "A exclusão dessa comunidade [LGBT] reforça uma perversa dinâmica de invisibilidade, somada e agravada a isso, há a circunstância de que também a elas estão submetidas a exclusão social", disse.  Na sessão de ontem (20), Celso de Mello, relator da ADO nº 26, também  reconheceu a omissão do Congresso e manifestou-se a favor da criminalização pelo Judiciário, na forma do crime de racismo, diante da inércia do Congresso.  Ainda devem votar na sessão de hoje os ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski,  Marco Aurélio e o presidente, Dias Toffoli.
O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, disse hoje (21) que a operação da Usina Hidrelétrica de Três Marias pode ser alterada para evitar que os rejeitos da barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, alcancem o Rio São Francisco. "A gente está tomando as ações, fiscalizando, monitorando o avanço da pluma. Operações já foram definidas na Usina de Retiro Baixo para evitar que a passagem dessa lama vá para Três Marias. Mas a gente não pode afirmar que não haverá contaminação [do Rio São Francisco] porque isso depende do regime de chuvas e como a pluma vai se comportar ao longo do leito do rio", disse. O ministro deu a declaração após participar da comissão externa da Câmara criada para acompanhar os desdobramentos do rompimento da barragem de rejeitos da Vale, em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo o ministro, a Usina de Três Marias, que deságua no Rio São Francisco, tem um reservatório amplo, e o governo espera que a lama de rejeitos seja diluída para que não atinja o rio. Mudanças na legislação Canuto defendeu a necessidade de mudanças na Política Nacional de Segurança de Barragens (Lei 12.334/10). Uma das alterações é a revisão do critério de classificação das barragens para que fique mais evidente quando uma barragem está em risco para que o governo possa identificar rapidamente e tomar as providências. Ele também defendeu sanções mais rígidas para as empresas que descumpram as normas da Política Nacional de Segurança de Barragens. Segundo Canuto, o governo deve encaminhar por meio de Medida Provisória as alterações na Lei 12.334/10. Brumadinho O ministro afirmou que o objetivo do governo é revitalizar a região e estimular uma nova atividade econômica em Brumadinho para que as pessoas continuem a morar na região. "Um dos planos é colocar a cidade como centro de referência de segurança de barragem, com centros especializados para estudos, empresas responsáveis por monitoramento, e com equipamentos para garantir a segurança".  Segundo balanço divulgado ontem (20), 171 pessoas morreram e 139 estão desaparecidas após o rompimento da barragem ocorrida em 25 de janeiro.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou hoje (21) o fechamento da fronteira com o Brasil e a realização de um "grande show" de música na área que faz divisa com a Colômbia. Ele avalia também o fechamento da fronteira colombiana, na qual está a cidade Cúcuta, que centraliza os repasses de doações para os venezuelanos. "A partir das 20h de hoje [quinta-feira, em horário de Caracas] a fronteira terrestre com o Brasil será fechada", anunciou Maduro durante reunião com o Estado Maior das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) por videoconferência do Comando Estratégico Operacional de Caracas. "Decidi que [o espaço] está totalmente fechado, até novo aviso sobre a fronteira terrestre com o Brasil, melhor prevenir do que remediar", acrescentou Maduro. "Quero que seja uma fronteira dinâmica e aberta com a Colômbia, mas sem provocações." Responsabilidades Maduro disse que responsabilizará o presidente da Colômbia, Iván Duque, sobre qualquer problema que houver na região fronteiriça com a Venezuela. "A Venezuela está passando por uma grande provocação, por isso estamos atualizando o conceito para reagir. O governo que presido está na vanguarda da proteção das pessoas", disse. Maduro fez o anúncio durante visita ao maior quartel do exército em Fuerte Tiuna. Também participou de uma videoconferência transmitida por emissoras de televisão e postada no seu perfil no Twitter. "Vamos ao combate pela pátria", apelou. "Nosso destino é a vitória sempre. Chávez vive", disse. Desestabilização Para Maduro, há uma campanha para desestabilizar seu governo. Ele usou várias expressões críticas aos que lideram o esquema para angariar ajuda humanitária. Segundo ele, há um "espetáculo mundial", utilizando as necessidades da Venezuela para chamar a atenção. Maduro afirmou que espera que "triunfe" a paz e a vitória sobre o que chamou de "guerra psicológica". De acordo com ele, a cada provocação, haverá uma resposta por parte da Venezuela. No discurso, o venezuelano agradeceu "a lealdade sempre" dos militares que estão ao seu e citou o solgan "Leais sempre, traidores nunca". Segundo ele, como humanista ama o povo e o país "acima de qualquer coisa". Há informações não confirmadas oficialmente que foram enviados militares para cidade de Santa Helena de Uairén, na fronteira com o Brasil. EUA O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, viaja para a Colômbia na próxima segunda-feira (25) para negociar com o presidente colombiano a ajuda humanitária para a Venezuela. O vice-presidente pretende defender a saída imedidata de Maduro do poder. Ele também se encontrará com famílias de refugiados venezuelanos. "A luta na Venezuela é entre ditadura e democracia e liberdade", disse a secretária de imprensa da Vice-Presidência, Alyssa Farah. "Juan Guaidó é o único líder legítimo da Venezuela. É o momento de Nicolás Maduro sair." Farah reiterou que os Estados Unidos além de apoiar a gestão Guaidó, atuam no fornecimento de ajuda humanitária e no apoio à sociedade venezuelana. "[Os Estados Unidos trabalham] ao lado do povo da Venezuela até que a democracia e a liberdade sejam totalmente restauradas. " Data A Casa Branca informou, por meio de comunicado, que Pence reforçará o apoio ao governo interino de Juan Guaidó, que se autoproclamou "presidente encarregado" no último dia 23. De acordo com a Casa Branca, Pence ressaltará a necessidade de restabelecer a democracia e combater a ditadura na Venezuela. No encontro, o vice-presidente vai abodar a crise humanitária e de segurança na Venezuela e os esforços para ajudar a população. Segundo a Casa Branca, o objetivo é definir medidas concretas que apoiem a população e a transição para a democracia. Éa quinta viagem de Pece para a América Latina como vice-presidente. Em suas viagens anteriores, ele também se reuniu com venezuelanos que fugiram de seu país. *Com informações da VTV, emissora pública de televisão da Venezuela.  
A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, disse que os contratos da Fundação Nacional do Índio (Funai) passarão por uma auditoria. Segundo ela, o ministério vai rever a atuação de organizações não-governamentais (ONGs) junto à Funai. Damares participou hoje (21) da reunião da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, para apresentar os desafios e as ações da pasta. Na audiência, ela afirmou que, no último dia 2 de janeiro, foi suspenso o repasse de quase R$ 44 milhões, da Funai para um instituto do Rio de Janeiro, visando à criação de moeda virtual para os índios. A ministra disse que foi criada uma força-tarefa para estudar os contratos da Funai. Em outra frente, o ministério vai avaliar as parcerias da Funai com ONGs. "Tem muita ONG séria lá, mas tem muitas que precisam dizer tchau para a Funai. Vamos rever o papel de ONGs dentro de área indígena no Brasil", anunciou. Homeschooling Durante a audiência pública, a ministra defendeu apoio legal às famílias que quiserem optar pelo ensino domiciliar de crianças, conhecida como homeschooling. Segundo Damares, uma medida provisória será enviada nos próximos dias ao Congresso. "Nós temos um grupo muito grande de famílias, que já aplicam o ensino domiciliar, o homeschooling. Com a última decisão do STF [Supremo Tribunal Federal], essas famílias que estavam sob efeito de liminar, perderam a proteção", afirmou Damares. "Então a gente entra com a MP, para que elas estejam protegidas em seu direito de ensinar em casa", explicou. A ministra disse essa é uma demanda da sociedade, e o texto está sendo discutido junto com o Ministério da Educação. "Temos um grupo de trabalho com o Ministério da Educação para que venha para cá um texto que agrade, um texto bom que não precise de tantos debates, e a gente avance na votação", disse. Em setembro do ano passado, o Supremo decidiu que, com a atual legislação, os pais não têm direito de tirar filhos da escola para ensiná-los exclusivamente em casa. Conflito Questionada sobre um possível conflito de sua crença religiosa e políticas em defesa de LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais), a ministra destacou que a comunidade foi a primeira a ser chamada para conversar ainda durante a transição de governo. Segundo ela, a diretoria que trata da comunidade no ministério está intacta, com representantes de gays, lésbicas e travestis. A ministra disse ser contra unicamente à "ideologização de gênero". "Se for preciso vou para rua com eles", garantiu. Sobre aborto, Damares reafirmou no Senado sua posição contrária "em qualquer circunstância". Mas disse que não é papel do ministério militar contra ou favor do aborto. "É o papel desta Casa. A preocupação de todos é com ativismo o Judiciário. Vocês [parlamentares] representam o povo, e o povo não quer a legalização do aborto", afirmou. Damares ressaltou que o enfrentamento à violência é a prioridade do ministério determinada pelo presidente Bolsonaro. Ela afirmou que canais de denúncias como a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, o ligue 180 e o Disque 100, que analisa e encaminha denúncias de violações de direitos humanos, serão reformulados. A preocupação, segundo a ministra, é avançar no encaminhamento das denúncias recebidas, nesse sentido todos os agentes da rede de proteção serão acionados pelo ministério.
Uma organização criminosa acusada de transportar drogas da Bolívia, Colômbia e Venezuela para o Brasil, Estados Unidos e Europa chegou a usar um submarino para cruzar o Atlântico com destino à costa do continente africano com até 8 toneladas de entorpecentes a cada viagem. A embarcação foi apreendida em meados de 2018, no Suriname. "O submarino foi apreendido durante as investigações iniciadas há dois anos. Ele foi localizado próximo a uma pista de pouso clandestina usada pela organização e onde foram apreendidos 400 quilos de entorpecentes", disse hoje (21) o delegado federal Marcelo Botelho, responsável pela Operação Flak, deflagrada nesta quinta-feira. Segundo o delegado, a droga apreendida no avião localizado em uma pista clandestina seria transferida para o submarino, atracado a 50 quilômetros de distância. De lá, os criminosos seguiriam para a África, de onde o entorpecente seria distribuído para a Europa. "Uma particularidade que nos impressionou é a capilaridade da organização criminosa, que tem contatos em diversos países", comentou Botelho, esclarecendo que, além dos 54 mandados de prisão e 81 mandados de busca e apreensão que estão sendo cumpridos no Ceará, Distrito Federal, Goiás, Pará, Paraná, Roraima, São Paulo e Tocantins, as autoridades brasileiras também acionaram a Interpol, pedindo a colaboração para deter seis suspeitos de integrar o esquema que podem estar no exterior. Prisões Até o início desta tarde, ao menos 26 pessoas já tinham sido presas, entre elas, pilotos de jatos executivos. A 4ª Vara Federal de Palmas (TO) autorizou a apreensão de 47 aeronaves, além do sequestro de bens e do bloqueio das contas bancárias de mais de 100 pessoas físicas e jurídicas suspeitas de integrar a organização criminosa. "Mais que as prisões e as buscas para apreender provas que auxiliem as investigações, a operação de hoje atingiu o poder financeiro da organização", disse Botelho. "Nosso foco foi a desarticulação, foi a descapitalização da organização. Justamente para evitarmos que o crime continue a ser praticado mesmo após a prisão dos principais líderes e membros da organização",  afirmou. Apesar de chegar a utilizar um submarino, a especialidade do grupo, segundo a Polícia Federal, era o transporte aéreo de grandes quantidades de drogas. De acordo com o Botelho, trata-se de uma "organização bem estruturada, que tinha nítida divisão de tarefas". Ao longo das investigações, os agentes federais identificaram quatro núcleos: o logístico, responsável por gerenciar a parte operacional, como a escolha de aeronaves, a contratação de pilotos e a construção de pistas clandestinas. Voos irregulares Um núcleo aeronáutico era encarregado de identificar rotas que permitissem aos pilotos fugirem do controle aéreo e de elaborar planos de voos irregulares. Outro núcleo era o varejista, responsável por contatar os produtores de drogas e os destinatários finais, em outros países. Por fim, havia o núcleo mecânico, formado pelos que faziam a manutenção das aeronaves. Estes profissionais chegavam a adaptar um sistema que permitia que os aviões usados no esquema fossem abastecidos em pleno voo, de forma a aumentar a autonomia de voo das aeronaves, para que não precisassem pousar. De acordo com o delegado federal, isso colocava em risco a segurança de todo o transporte aéreo, já que, além de viajar com planos de voo irregulares, os aviões da organização passavam despercebidos pelos radares. O próprio piloto assumia riscos ao abastecer a aeronave em pleno voo e há indícios de que aeronaves usadas pela organização caíram, vitimando os tripulantes. "Apesar de lucrativo, o crime trazia grandes riscos para os pilotos. Há registros de quedas de aeronaves, com a consequente morte ou desaparecimento de pilotos", afirmou Botelho, acrescentando que a organização também chegou a destruir aviões apenas para "apagar" as evidências de tráfico internacional de drogas. "Incluindo aeronaves com valor de mercado de R$ 1 milhão." Segundo Botelho, a organização tentava mascarar suas atividades ilícitas contratando pilotos que, paralelamente, exerciam atividades lícitas, como voos comerciais e atividades agrícolas. E lavava o dinheiro investindo em fazendas, criação de gado, postos de combustível, garimpo e na revenda das próprias aeronaves usadas no esquema.  
O prefeito do Rio de Janeiro, Marcello Crivella disse hoje (21), após se reunir com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que a proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo vai precisar de ajustes ao tramitar no Congresso Nacional. "Acho que todo o Brasil aprova a reforma em dois aspectos: é preciso trabalhar mais para se aposentar, porque estamos vivendo mais; e quem ganha mais contribui mais, quem ganha menos, contribui menos", disse, ao deixar o Ministério da Economia. De acordo com o prefeito, todos precisam ser incluídos na proposta. "É preciso incluir todos; as Forças Armadas precisam estar nisso", afirmou. Segundo o Crivella, o pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC) somente aos 70 anos "não é adequado". "Tenho certeza que o Congresso Nacional vai preservar os idosos e as pessoas com deficiência. Achei que 70 anos é uma idade muito avançada", ressaltou. Justiça fiscal Crivella afirmou que o ministro mostrou-se favorável à ideia de que seja repassado um valor maior de recursos aos municípios que fizerem esforço para controlar seus gastos. "Ele disse que o governo federal irá contemplar os municípios na proporção de seu ajuste fiscal, ou seja, quem cortou custeio e aumentou sua receita terá ajuda do governo federal", disse. O prefeito acrescentou que cidade do Rio de Janeiro gera, por ano, o recolhimento de R$ 160 bilhões em impostos federais. "Quanto volta para a cidade do Rio de Janeiro? Voltam R$ 4 bilhões ou R$ 5 bilhões, que são os recursos do Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação] e os recursos do SUS", disse. Crivella disse que é preciso "justiça fiscal" na proporção dos esforços feitos pelos municípios. "Tenho 11 mil quilômetros de ruas e avenidas que precisam de reparação, tenho todos os rios e lagoas do Rio de Janeiro poluídos, todos os morros da minha cidade com a violência anômica [assaltos, agressões, homicídios], falta saneamento, falta emprego. Até quando o Rio vai resistir em mandar R$ 160 bilhões para Brasília e receber só R$ 5?" Proposta A proposta de reforma da Previdência foi entregue ontem (20) pelo presidente Jair Bolsonaro ao Congresso Nacional. No pronunciamento, Bolsonaro afirmou que a reforma é necessária para garantir que todos recebam seus benefícios em dia "hoje e sempre". "Precisamos garantir que, hoje e sempre, todos receberão seus benefícios em dia e o governo tenha recursos para ampliar investimentos na melhoria de vida da população e na geração de empregos. O texto propõe idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, com contribuição mínima de 20 anos. Atualmente, aposentadoria por idade é 60 anos para mulheres e 65 anos para os homens, com contribuição mínima de 15 anos. No plenário, a aprovação do texto depende de dois turnos de votação com, no mínimo, três quintos dos deputados (308 votos) de votos favoráveis. Em seguida, a proposta vai para o Senado cuja tramitação também envolve discussão e votações em comissões para depois ir a plenário.
Após o anúncio, esta semana, do fechamento da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo (SP), o governador de São Paulo, João Doria, reuniu-se na manhã de hoje (21) com o CEO da Ford América do Sul, Lyle Watters. Após a reunião, Doria anunciou que, na semana que vem, o governo do estado vai buscar um comprador para a fábrica, no intuito de manter os empregos. "Foi uma reunião longa e dura", disse Doria, ao fazer o anúncio. "[A decisão] é que governo de São Paulo vai buscar comprador para essa fábrica para a preservação do parque fabril e dos empregos", acrescentou. Segundo Doria, como o fechamento da fábrica não será imediato, mas ao longo de 2019, nesse período o governo pretende ajudar a Ford a encontrar um comprador para a fábrica. "Não há preocupação imediata dos funcionários da Ford, na perda de seus empregos. Vai continuar normalmente. Ao longo desse período, o governo vai ajudar a Ford a encontrar um comprador para o parque fabril para que ali possam permanecer os trabalhadores, ainda que com uma nova marca assumindo o parque industrial", disse o governador. "Até o final deste ano os empregos estão assegurados, mas vamos, de forma célere, buscar um potencial comprador para as instalações da Ford em São Bernardo do Campo", acrescentou. Segundo Doria, a Ford garantiu que a fábrica de Tatuapé, onde há 1,6 mil trabalhadores, e as sedes de Tatuí, com 270 funcionários, e de Barueri, com 170 funcionários, não serão afetados. Também serão mantidos, segundo Doria, o centro administrativo da Ford em São Bernardo do Campo. A reunião aconteceu no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Também estiveram presentes o vice-presidente de Assuntos Governamentais, Comunicação e Estratégia da Ford na América do Sul, Rogelio Golfarb; o vice-governador e secretário de governo, Rodrigo Garcia; o secretário da Fazenda e Planejamento, Henrique Meirelles; e o assessor da secretaria da Fazenda e Planejamento, Gustavo Ley. O prefeito de São Bernardo disse que foi surpreendido com a notícia sobre o fechamento da fábrica na cidade. E que a medida traria um grande impacto de arrecadação para a cidade, de R$ 4 milhões em ISS por ano e de R$ 14,5 milhões em transferência do ICMS. Sindicato Nenhum representante de sindicato dos trabalhadores foi convidado a participar do encontro. Em vídeo divulgado no site do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o presidente Wagner Santana criticou o governo e a Ford por não convidarem os trabalhadores para participar da reunião. "Ficamos sabendo, através da imprensa, que ocorrerá às 10h uma reunião com o governador, o presidente da empresa e também o prefeito da cidade. Solicitamos que a gente pudesse, como trabalhadores, os mais afetados por essa decisão, participar dessa reunião. Recebemos o retorno do gabinete do governador dizendo que eles não nos queriam nessa reunião", disse o sindicalista. O governador João Doria confirmou que o governo não convidou os sindicalistas para participar da reunião "Não foi feito convite porque não era o momento para ter o sindicato participando da reunião. Mas haverá, no momento oportuno. Primeiro, precisávamos ter o diagnóstico. Saímos de uma reunião de forma positiva. Agora, temos um cenário melhor, mais tranquilizador. Oportunamente eles serão convidados para a conversa conjuntamente com a Ford", disse. Ford A Ford anunciou, na última terça-feira (19), que vai encerrar as atividades na fábrica de São Bernardo do Campo e que deixará o mercado de caminhões na América do Sul. No Brasil, deixará de comercializar as linhas Cargo, F-4000, F-350 e Fiesta, assim que terminarem os estoques. A planta de São Bernardo será desativada no decorrer deste ano. A Ford tem três fábricas no Brasil, em Camaçari (BA), São Bernardo do Campo (SP) e Taubaté (SP), e um campo de provas em Tatuí (SP). Em São Bernardo do Campo há 2.800 empregados, segundo o sindicato da categoria. "Sabemos que essa decisão terá um impacto significativo sobre os nossos funcionários de São Bernardo do Campo e, por isso, trabalharemos com todos os nossos parceiros nos próximos passos", disse, em nota, Lyle Watters, presidente da Ford América do Sul. "Atuando em conjunto com concessionários e fornecedores, a Ford manterá o apoio integral aos consumidores no que se refere a garantias, peças e assistência técnica", acrescentou Watters. Segundo o sindicato, a decisão afetará cerca de 4 mil trabalhadores diretos e terceirizados. Após uma assembleia realizada na terça-feira (19), os trabalhadores decidiram entrar em greve. Nova assembleia foi marcada para próxima terça-feira (26).