Editorial

Era vidro e se quebrou

30/07/2022 às 00:09.
Atualizado em 30/07/2022 às 00:09

Na eleição de 2018, na esteira da Lava Jato, Jair Bolsonaro conseguiu convencer milhões de brasileiros de que ele personificava o combate à corrupção. E fez isso mesmo após três décadas de uma trajetória política repleta de episódios de uso imoral de dinheiro público, como quando recebia auxílio-moradia da Câmara mesmo tendo imóvel próprio em Brasília, ou de suspeitas de crime, como no caso das rachadinhas, que envolve praticamente toda sua família.

Já no Palácio do Planalto, e mesmo após uma série de escândalos, Bolsonaro continuou a se autoproclamar o arauto do combate à corrupção. Mas a pesquisa Datafolha divulgada essa semana mostra que a capacidade do presidente de ludibriar o eleitorado teve uma brusca redução.

Segundo o levantamento, 73% dos brasileiros acreditam que há corrupção no governo federal. Esse percentual, aliás, pode até ser considerado pouco diante de tantos episódios graves e amplamente suspeitos ocorridos desde janeiro de 2019. Só para lembrar alguns: o ministro do Turismo acusado de desviar recursos na eleição de 2018 por meio de candidaturas de laranjas; o ministro do Meio Ambiente que teria boicotado ações de fiscalização ambiental; o uso do orçamento secreto para comprar tratores superfaturados; a tentativa de comprar vacina da Covaxin com sobrepreço de 1.000%; o gabinete paralelo do Ministério da Educação; e as licitações suspeitas na Codevasf.

Para sorte de Bolsonaro, nada disso ameaçou seu mandato, já que a PGR (Procuradoria-Geral da República) e o presidente da Câmara insistem em não cumprir suas obrigações institucionais.

Também para sorte de Bolsonaro, o combate à corrupção é citado como prioridade atualmente apenas por 3% do eleitorado. Em 2018, por exemplo, figurava no topo.

Mas o presidente também tem azar, pois seu governo é desastroso nos temas que hoje são considerados prioritários, como o combo que reúne desemprego, economia, fome/miséria e inflação (42%), e também a saúde (20%). Não é à toa que as pesquisas mostram que a reeleição é uma missão difícil para o presidente. Além de não cumprir as promessas que fez, Bolsonaro ainda não conseguiu resolver os problemas que surgiram ou que foram intensificados durante seu governo. Não será nada fácil ludibriar o eleitorado dessa vez.

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