Editorial

O golpismo sem filtros

23/07/2022 às 04:39.
Atualizado em 23/07/2022 às 04:39

Um show de horrores, de extrema gravidade, inaceitável, que teve a democracia brasileira como principal alvo. E, no qual, segundo especialistas, foram cometidos crimes eleitorais - para dizer o mínimo.

Na última semana, o presidente da República, Jair Bolsonaro, usou um ato oficial no Palácio do Planalto, com a presença de autoridades brasileiras e de cerca de 60 representantes de outros países, para levantar falsas suspeitas sobre nosso sistema eleitoral e fazer acusações levianas contra o Judiciário. Pré-candidato à reeleição, usou o aparato do Estado, como por exemplo a TV Brasil, para um claro ato de campanha antecipada. O que é, obviamente, ilegal.

Sem apresentar nenhuma prova durante um discurso de 50 minutos, o presidente ainda afirmou que as últimas eleições tiveram os resultados fraudados e que o próximo pleito, marcado para outubro desse ano, pode não ser realizado caso a Justiça Eleitoral não aceite as sugestões das Forças Armadas.

Repetindo teorias da conspiração, a apresentação de Bolsonaro teve como base um inquérito aberto em 2018 pela Polícia Federal, que apura a invasão de um hacker ao sistema do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O presidente, por conveniência, deixou de citar uma série de fatos importantes para os presentes. Como, por exemplo, que o TSE já esclareceu que o acesso do hacker foi bloqueado e não interferiu nos resultados. Ou então que Bolsonaro foi investigado por divulgar as informações do inquérito, e que a própria PF concluiu que o presidente e alguns de seus aliados cometeram crime de violação de sigilo funcional com o objetivo de espalhar informações falsas sobre a segurança das urnas eletrônicas.

Em seu show de horrores, Bolsonaro proferiu ao menos 20 mentiras sobre o sistema eleitoral brasileiro - todas rebatidas pelo TSE.

Como os embaixadores deixaram a reunião com a mesma visão que já tinham, de que o processo eleitoral brasileiro é seguro, o evento tem sido considerado como um tiro no pé por parte do presidente. Mas as instituições precisam adotar providências para que o próximo tiro de Bolsonaro não cause estragos irreparáveis em nossa democracia. O intento golpista dele já não é segredo para ninguém. Nem aqui e nem no exterior.

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