Editorial

O plano de Bolsonaro

11/06/2022 às 00:04.
Atualizado em 11/06/2022 às 00:04

Enquanto a fome dispara no país e atinge 33,1 milhões de brasileiros, o (des)governo Jair Bolsonaro deixou de lado qualquer resquício de vergonha na cara e escancarou que seu único projeto é buscar a reeleição em outubro, custe o que custar.

Sem qualquer pudor, o presidente e seus ministros passaram a defender publicamente ideias efêmeras que, não coincidentemente, teriam efeitos práticos apenas até o fim desse ano. Ou seja, Bolsonaro e sua trupe apostam em dar uma bela maquiada no país para tentar convencer o eleitorado de que merecem mais quatro anos.

Um dos exemplos mais recentes - e absurdos - disso ocorreu na semana que passou, quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu que os setores de supermercados e da indústria congelem os preços dos produtos "por dois ou três meses". No mesmo evento - o Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento, organizado pela Abras (Associação Brasileira de Supermercados) -, implorou que os empresários aplicassem o "menor lucro possível" aos preços dos alimentos.

Sem competência suficiente para adotar políticas que reduzam a inflação (que acumula 11,73% nos últimos 12 meses), o governo federal suplica que o setor produtivo faça um esforço momentâneo, para que a crise econômica não tire ainda mais votos de Bolsonaro. Seria cômico se não fosse trágico. A estratégia, aliás, lembra a adotada pela ditadura militar, que em peças publicitárias culpava os consumidores pela inflação alta: "o custo de vida é culpa de quem compra e de quem vende". Ou a do Plano Cruzado, de 1986, quando o então presidente, José Sarney, convocou a população a fiscalizar o congelamento geral de preços - surgiam aí os 'fiscais do Sarney'.

O mesmo vale para a ideia do teto no ICMS, que é a aposta do governo para reduzir o preço dos combustíveis até o fim do ano. Uma medida desesperada, que não resolverá o problema em definitivo e ainda deve ampliar o rombo das contas públicas. Tudo pela eleição.

Tudo isso se junta ao pacote que já tinha Auxílio Brasil a R$ 400, aumento de 33% no piso salarial de professores, entre outras medidas eleitoreiras.

Ciente de que corre sério risco de ser derrotado, Bolsonaro tem apostado alto para tentar esconder a crise que provocou. O problema é que, depois da eleição, quando a maquiagem sair, o Brasil estará numa situação ainda pior do que a atual.

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