Editorial

O presidente alienado

Editorial
31/12/2021 às 01:29.
Atualizado em 31/12/2021 às 01:29

Em meio a um cenário de imensa crise no Brasil, o presidente da República se diverte em um passeio de jet ski, aparentemente alheio aos problemas que o cercam -- e que afundam o país, prejudicando milhões de brasileiros.

A cena acima marcou o ano de 1992 e foi protagonizada pelo ex-presidente Fernando Collor, que havia sido eleito em 1989 e que, três anos depois, acabou afastado por meio de um processo de impeachment.

Quase 30 anos depois, a cena se repete. Em meio a uma crise política que já se arrasta há muito tempo, e diante de uma tragédia natural que já matou 24 pessoas e deixou milhares de desabrigados na Bahia, o presidente Jair Bolsonaro se diverte em Santa Catarina. Todo sorridente, ele passeia de jet ski e de moto, e ainda arruma um tempo para visitar um parque de diversões. "Espero que eu não tenha que retornar antes", disse o presidente, em meio a críticas pela falta de assistência aos baianos e pela recusa em receber ajuda humanitária da Argentina.

Todo esse roteiro em Santa Catarina, aliás, é feito sem máscaras e causando aglomerações. Naquele estado, um decreto liberou a obrigatoriedade do uso do acessório em áreas abertas, desde que haja distanciamento entre as pessoas -- o que não tem sido respeitado pelo presidente e por seus apoiadores. E tudo isso ocorre em um momento em que o governo Bolsonaro tenta adiar ao máximo o início da vacinação contra a Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos.

As semelhanças entre Collor e Bolsonaro não param por aí. O primeiro chegou ao Palácio do Planalto com a alcunha de "caçador de marajás", que sintetizava a promessa de moralizar o serviço público. O segundo, empunhava a bandeira da "nova política".

A diferença entre os dois está no tempo verbal. Collor foi um desastre. Bolsonaro está sendo um desastre. E, como não é possível voltarmos no tempo, o que nos resta é torcer para que o atual presidente vire passado o quanto antes.

Quando chegar a (bendita) hora de Bolsonaro dar férias para o Brasil e deixar o Palácio do Planalto, ele poderá fazer isso como quiser: a pé, de carro, de moto, de jet ski, etc. Mas, até lá, o ideal seria que o presidente tentasse fazer algo que não conseguiu até agora, que é se comportar à altura do cargo que ocupa.

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