Editorial

Presidente queimado

24/06/2022 às 23:42.
Atualizado em 24/06/2022 às 23:42

É gravíssima a nova suspeita que paira sobre o presidente da República. Uma conversa telefônica do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro sugere que Jair Bolsonaro tentou obstruir a investigação sobre o chamado gabinete paralelo do MEC.

Ribeiro foi preso no dia 22 de junho, em uma operação da Polícia Federal. Treze dias antes, no dia 9, disse para a filha que "o presidente" havia ligado naquele dia para ele, "com um pressentimento" de que iriam "fazer uma busca e apreensão" na casa do ex-ministro. Vale ressaltar que, àquela altura, a Justiça já havia autorizado a interceptação telefônica e as buscas contra os alvos da operação — além de Ribeiro, também os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura. A autorização judicial ocorreu em 17 de maio, 23 dias antes da ligação entre Bolsonaro e o ex-ministro.

Outro indício de que houve a tentativa de obstrução é que, no dia da prisão, Ribeiro não se surpreendeu com a operação. Quem diz isso? A esposa dele, numa ligação feita a um parente poucas horas depois. "Ele tava sabendo. Pra ter rumores do alto, a coisa... é porque o negócio já tava certo". É importante destacar o trecho "rumores do alto".

O Ministério Público Federal pediu que a suspeita de que Bolsonaro cometeu crime seja enviada ao Supremo Tribunal Federal, já que ele tem foro privilegiado. Eventual investigação contra o presidente deve apurar crimes como obstrução de justiça (pena de até cinco anos de prisão), favorecimento pessoal (seis meses de detenção) e violação de sigilo funcional (até dois anos de prisão).

É importante ressaltar, também, que esse não é o primeiro áudio de Ribeiro que arrasta o presidente para o centro do escândalo. Em gravação divulgada em março, quando ainda era ministro, ele disse que dar prioridade aos pedidos dos pastores havia sido "um pedido especial que o presidente da República fez".

O país aguarda respostas. Bolsonaro pediu que o então ministro abrisse portas para pastores que, segundo as investigações, liberavam recursos do MEC por meio de concessão de propina? O presidente tentou obstruir o inquérito para ajudar aliados?

O presidente disse anteriormente que "botava a cara no fogo" por Ribeiro. Se as investigações forem sérias, provavelmente os dois sairão dessa bastante queimados.

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