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Mesmo com amplo debate e informação acessível, Brasil tem sequelas do período de escravidão

Julia Gomes e Mayra Ribeiro
14/05/2022 às 01:07.
Atualizado em 14/05/2022 às 01:07
 (Abolição da Escravatura, pintura por Victor Meirelles)

(Abolição da Escravatura, pintura por Victor Meirelles)

Apesar dos mais de 130 anos da assinatura da Lei Áurea e de hoje a sociedade ter cada vez mais acesso a informação, o Brasil segue com sequelas causadas pelo duro período de escravidão.

Números oficiais mostram comprovam que o racismo não só segue presente em nosso convívio como o país enfrenta um aumento de crimes raciais.  Dados do Ministério dos Direitos Humanos mostram que, em 2021, foram mais de 1.000 denúncias oficiais de injúria racial registrados em todo o país. O número é mais que o dobro das 476 denúncias feitas em 2020.

Por mais que o número real de casos -- incluindo os que não são denunciados -- seja maior do que os oficiais, os dados mostram que, nesse sentido, o país não mostra uma tendência de evolução -- mesmo com o amplo debate sobre o racismo e todo o acesso à informação dos dias atuais.

Na mesma rota, as denúncias de intolerância contra religiões de origens africanas também mais que dobraram no ano passado, de acordo com informações do governo federal, o que também ajuda a mostrar como ainda é tão presente o racismo estrutural, fenômeno social que mantém pensamentos preconceituosos e enraizados desde os tempos de escravidão, vivos até hoje na sociedade.

“[Trata-se de] um conjunto de regras, normas e a formalização de práticas institucionais, históricas, culturais e interpessoais dentro de uma sociedade que frequentemente coloca a população negra ou afrodescendente como marginal”, explicou a professora Maria Angélica Gomes Maia, que é mestra em Educação.

De acordo com a profissional, há uma luta diária das pessoas negras contra o apagamento de sua cultura, religião e costumes em decorrência do racismo estrutural e contra a imposição dos padrões culturais brancos no cotidiano.

“Vemos negros querendo se descaracterizarem querendo alisar o cabelo, não aceitando sua cor, achando-se inferior, tendo vergonha dos elementos que caracterizam sua cultura entre outros. É triste ver crianças de dois anos tendo que alisar o cabelo, a erotização da mulher negra, os apelidos pejorativos, as piadas maldosas e sempre inferiorizando a população negra”, disse.

Ainda segundo a professora, o racismo estrutural também movimenta as dificuldades enfrentadas pelas religiões de matrizes africanas: “Descaracterizaram totalmente o viés religioso, buscam identificar as manifestações religiosas como satânicas, impuras, impróprias, inadequadas, de pessoas ignorantes, sem estudo, de pobre, enfim, a falta de conhecimento ao perceber que ela tem muito em comum nos costumes e usos, como todas as outras religiões: o ritual, as roupas, os cantos.”

COMBATE.

Mesmo que não faltem exemplos e que informações da luta contra o preconceito esteja ao alcance de qualquer um, o combate ao racismo é um dos temas que segue sendo ponto principal de debates importantes por todo o país. 

Para a professora, especialista em psicopedagogia, a educação, sobretudo às crianças e jovens, é fundamental para uma sociedade mais igualitária. Ela cita manifestações artísticas, como músicas e filmes, que também estimulam o debate e a produção de arte negra. 

“Só existe uma raça: a humana, com toda a sua beleza e singularidade. Esse multiculturalismo e miscigenação é a beleza do ser humano”, declarou a professora.

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