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Vagas em universidades, figuras políticas, cargos de chefia: escravidão deixou heranças no Brasil

Patrick C. Santos
14/05/2022 às 01:00.
Atualizado em 14/05/2022 às 01:01
 (Instituto Moreira Salles)

(Instituto Moreira Salles)

Mesmo mais de 130 anos após a abolição da escravatura e com tantos exemplos diários estampados nas notícias por todo o país, parte da sociedade brasileira reproduz o fenômeno do esquecimento de sua própria história e, de uma forma distante da realidade, não consegue enxergar como a escravidão continua ainda hoje impactando na vida diária das pessoas negras. 

Após quase 400 anos em que o regime escravocrata ficou presente no Brasil, os 134 recém-completados da liberdade oficial dos escravos ainda não foram suficientes para acabar com as consequências -- e as heranças nefastas que ficaram no nosso país.

“É preciso reconhecer que o racismo é uma estrutura cultural, assim, sendo não será transformada apenas pela força da lei ou de uma ‘abolição’. O combate ao racismo vem por meio de políticas culturais educativas, elas sim são responsáveis pelas mudanças efetivas”, analisou a cientista social Lidiane Maciel, doutora em Sociologia pela Unicamp (Universidade de Campinas).

Na voz de Lidiane, “a hierarquia é uma estrutura de organização social comum a várias sociedades” e “a questão maior não é a forma de organização em si, mas a política de segregação que é feita a partir dela”. 

HERANÇAS.

É nítido que, ainda hoje,  negros e brancos não detêm as mesmas oportunidades, afinal, nem quase 400 anos desta tão violenta história não se apagam em uma canetada ou por meio de um decreto. 

“Em muitos espaços acadêmicos ou de disputa política, nós, pesquisadores e pesquisadoras negros e negras, somos convidados para falar, mas isso não significa que estamos sendo ouvidos”, afirmou Lidiane. 

No caso de mulheres negras, as questões ainda são fundidas às desigualdades derivadas às questões de sexismo e machismo: “Sabe-se que socialmente as mulheres negras são as últimas a serem ouvidas quando falam”.

“Outra situação de dificuldade de ser intelectual negro hoje é o reconhecimento dado pela academia e mídias para nós apenas para falar de situações que envolvem o racismo/questões raciais.  Pouco se reconhece que pesquisadores negros estudam ou debatem outros assuntos., afirmou Lidiane a OVALE.

ANÁLISE.

Com um mundo tão caótico e com evoluções tão lentas, é difícil imaginar quão próximo ou distante o mundo ideal pode estar de nós. O ideal é que chegue o mais rápido possível, mas será que estamos rumando para este caminho? Ou melhor: será que estamos nos empenhando para atingir tal objetivo?

Questionada sobre se é possível acabar com o racismo, Lidiane Maciel afirma prontamente que sim -- por meio de políticas públicas educacionais. “Incluindo estratégias de comunicação social. Apenas elas alterarão nosso cenário. E digo para vocês, no Brasil, elas já alteraram! Mas precisamos de continuidade nessas políticas”, disse a socióloga. “É necessário discutir o racismo e ser antirracista todos os dias – e não apenas perto de datas comemorativas”, completou..

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